Carro sem mistério

Motor de frente ou de lado?

Motor Jeep (divulgação)

Motores a combustão não são somente conhecidos pelo volume de seus cilindros ou a potência que produzem. Há várias outras características que os definem e que influenciam no tipo de carro que os utilizam. Uma delas é a posição em que ele se encaixa no veículo, podendo ser longitudinal ou transversal, dianteira, central ou traseira. Aqui vamos nos ater apenas ao eixo em que eles são instalados.

Motor Volkswagen Jetta (divulgação)

Motor longitudinal:

O motor longitudinal é montado em paralelo ao comprimento do veículo. Foi a posição mais comum desde o início da fabricação de carros afinal a maior parte deles possuía tração traseira. Com isso, o motor longitudinal é conectado a um eixo cardan que percorre o túnel central do assoalho para se conectar aos eixos de tração que levam o torque para as rodas. Podem ser dispostos em linha ou em V, por exemplo.

Motor Longitudinal Audi SQ5 (divulgação)

Dependendo da quantidade de cilindros, esses carros possuíam capôs longos para abrigar um motor imenso. Também era comuns em veículos com tração 4×4.  No Brasil um dos modelos que fizeram muito sucesso usando esse tipo de posição de motor foi o saudoso Chevrolet Opala.

Audi SQ5 (divulgação)

Mas não apenas carros com tração traseira receberam motores longitudinais. O nosso Gol, por exemplo, tinha motor longitudinal, mas tração dianteira. Isso até a geração 5 que, ao receber a plataforma do Polo, enfim passou a contar com um motor transversal. No exterior, a Audi e a Skoda também chegaram a vender carros com motor longitudinal e tração dianteira. Hoje esse tipo de configuração é restrita a carros de luxo e esportivos.

Motor transversal:

Se o motor longitudinal é montado paralelamente ao comprimento do veículo, o transversal por sua vez é montado perpendicularmente ao comprimento do carro.  É o sistema mais utilizado em carros com tração dianteira, mas também é encontrado em veículos com tração traseira.

Motor Transversal Audi RS3 (divulgação)

A maior vantagem do motor montado na transversal é ocupar pouco espaço. Com isso, foi possível ampliar a cabine de passageiros sem produzir um veículo imenso. De quebra, o motor transversal tem uma montagem mais simples e compacta por receber a transmissão conectada diretamente a ele e também o eixo dianteiro formando o chamado “powertrain” do modelo.

Audi RS3 (divulgação)

Sua aplicação se popularizou dos anos 60 para cá e até mesmo a BMW, marca que relutou anos para aceitar essa configuração, hoje vende seus modelos mais acessíveis dessa forma.

Curiosidades:

As primeiras informações que se tem a respeito sobre os primeiros motores transversais são datadas de 1910, mas marcas como DKW e Saab começaram a popularizar esses motores apenas em 1930.

Mini Cooper (divulgação)

Quem realmente levou a sério o motor transversal foi a British Motor Corporation, que o introduziu no primeiro Mini Cooper em 1959, e provou ao mundo que não era necessário ter um enorme motor e sacrificar o espaço interno. Graças a isso o Mini possuía um balanço dianteiro (espaço entre o para-choque e a caixa de rodas) minúsculo, algo então inconcebível.

Fiat 147 (divulgação)

Por aqui, um dos pioneiros a utilizar o motor transversal foi o Fiat 147 na década de 70 e que antecipou um movimento que tomaria conta da indústria automobilística brasileira.